Dicas por Cidade


Dona Flor traduz universo de Jorge Amado

Um clássico da literatura em Ribeirão Preto

por Marco Antonio Miguel 01 de março de 2010
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Dona Flor e seus Dois Maridos

Convidar os amigos para assistir à peça Dona Flor e seus Dois Maridos pode não parecer muito empolgante. Sua história é conhecida, afinal o livro é um clássico. O filme, dirigido por Bruno Barreto em 1976, é simplesmente o mais visto da história do pais. Uma minissérie foi produzida para tevê na década de 90.

Primeiramente, não tem jeito: cinema e teatro tem linguagens totalmente diferentes. A história é narrada de maneira similar, as situações e as personagens principais estão ali, mas o palco emana um encantamento próprio. Como disse Paulo Autran, se o cinema é a arte do diretor, o teatro é a arte do ator. São eles que fazem a diferença, junto com o vigor do texto de Jorge Amado.

Aliás, a adaptação do livro, escrita por Pedro Vasconcelos e Marcelo Faria, acerta ao salientar o humor do autor baiano, presente nas situações e principalmente no linguajar escrachado das personagens. Aposto que você vai aprender um ou dois novos palavrões. O que nesse caso, antes de ser ofensivo, é muito engraçado.

Entretanto, e se os seus amigos não leram o livro, não assistiram à minissérie, nem ao filme? Não gaste saliva, diga apenas que é uma boa comédia, e que se ele não rirem em nenhum momento, você paga seus ingressos. Para os mais recatados e os mais assanhados um aviso. A peça contém cenas de nudez. O ator Marcelo Faria passa boa parte do espetáculo da maneira que veio ao mundo, e a atriz Fernanda Paes Leme também deixa de usar algumas roupas íntimas. Tudo a ver com a montagem e com o texto de Amado.

É a primeira vez que o livro aterriza nos palcos. O cenário é simples e funcional, com tecidos remetendo às casas coloridas do centro histórico de Salvador. A música passeia por todo o espetáculo e com ela se inicia: em uma quarta-feira de cinzas, Vadinho, um boêmio incorrigível, cai entre os foliões e morre. No funeral, Flor, sua mulher fiel, lembra das bebedeiras, das amantes, do vício na jogatina do marido que ela, apesar tudo, amava.

Viúva há quase um ano, Flor conhece o farmacêutico Teodoro e com ele se casa. Extremamente cerimonioso e regrado, ele é o oposto de Vadinho. Na verdade eles se complementam.  Teodoro lhe oferece uma vida de esposa e dona de casa segura e pacífica, mas não sacia os desejos de Flor sob os lençóis, o que Vadinho atendia completamente. Quando o espírito de seu primeiro marido surge, tentando seduzi-la, brota em Flor o conflito entre o prazer e vida recatada.

A peça fica em cartaz de 26 a 28 de março no Teatro Pedro II. Às 19h e 21h.

Ingressos: R$ 40 inteira e R$ 20 meia.


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  • Título: Dona Flor e seus Dois Maridos
  • Diretor: Pedro Vasconcelos
  • Elenco: Fernanda Paes Leme, Marcelo Faria, Duda Ribeiro, Ana Paula Bouzas, Marcello Gonçalves, Elvira Helena
  • Sinopse: Viúva, Flor conhece o farmacêutico Teodoro e com ele se casa. Cerimonioso,  ele é o oposto de de seu ex-marido, o boêmio Vadinho. Quando o espírito de seu primeiro marido surge, tentando seduzi-la, o conflito entre o prazer e vida recatada confunde Flor.
  • Duração: 110 minutos
  • Site: www.donafloreseusdoismaridos.com.br



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