Francisco de Assis França havia de se tornar digno de memória. De um memorial. Nasceu em Rio Doce, Olinda, no ano de 1966. O primeiro ingrediente na mistura que inventaria veio das músicas tradicionais de Pernambuco ouvidas ao lado de James Brown e os bailes funks da década de 1970. Em 80, acrescentou o hip hop, na forma do coletivo Legião Hip Hop. Do funk, hip hop, somou-se o soul e o rock para experiências temporárias: sua primeira banda Orla Orbe, mais tarde Loustal. E em 1991 o tempero especial; Francisco, agora já Chico Science, conheceu o samba-reggae do Lamento Negro, levado por Gilmar Bola 8. Da junção das duas bandas nasceu o tal do Manguebeat, anunciado entre umas cervejas no bar Cantinho das Graças. De Pernambuco para o mundo!
Um pouco dessa mistura e trajetória poderão ser melhor compreendidas no recém-inaugurado Memorial Chico Science, que chega para aumentar as opções de passeio do Pátio de São Pedro. De acordo com a assessoria da prefeitura, o espaço está dividido em três módulos conceituais: o informativo, o imersivo e o educativo. No informativo, uma exposição permanente ficará montada com vários painéis sobre o músico. O imersivo será constituído por uma espécie de câmara escura, onde serão projetadas imagens e sons em uma experiência desenvolvida por Mabuse (outro dos criadores do Manguebeat), Daniel Tiago, Jarbas Jacome, José Guilherme e André Édipo.
Por ultimo, no espaço educativo devem acontecer exibições de vídeos, palestras, oficinas. É lá também que estão os computadores munidos de discoteca virtual, uma biblioteca com livros e quadrinhos acessíveis à consulta, histórico completo da trajetória de Science com matérias de jornais, revistas, cartazes dos shows, fotografias e material iconográfico. Videoclipes, documentários e projeção fotográfica além, claro, das músicas de Chico Science e a Nação Zumbi completam o espaço.
Chico Science, que faleceu em um desastre de automóvel em 1997 não fez nada sozinho, mas com certeza foi a peça chave, o catalisador de algo que já estava no ar em Recife. Não apenas na área cultural, mas de um modo geral os eventos que sucederam ao dia da invenção do nome mangue são importantes para compreender uma parte importante do passado e, principalmente, do presente da cidade.
O Memorial, recém-inaugurado, é uma boa iniciativa para levar o trabalho de Chico aos mais novos, e para oferecer informações e trazer boas lembranças aos fãs do músico. Além de ser um ótimo passeio para se fazer com os amigos num sábado de sol. Aproveite para passear pelo Memorial e emendar em algum barzinho do Pátio. Em Etnia, música de seu segundo disco, Chico Science afirmou “É povo na arte é arte no povo/E não o povo na arte/De quem faz arte com o povo”. Se o Memorial cumprir essa missão, já estará fazendo uma grande coisa.